12 de jan de 2012

27 de out de 2011

30 de set de 2011

Noite em Porto Alegre

12 de jun de 2011

28 de abr de 2011

  Amanhã as 18.            


        Nonada. Noite já, ele exausto a se dirigir para casa: na tentativa de escapar do riso banguela da cidade. Distantes da leveza e da frescura das primeiras horas, os passos que percorrem a estação ferroviária são fruto da energia que ainda resta. Impulsionando o maratonista frente à linha de chegada, faz ignorar o movimento uniforme da escada rolante, a ponto de galgar dregau por dregau [como diria Adoniram]. Querendo a plataforma. Desejando com vontade embarcar em um dos vagões do trem: a reta mais curta é a estratégia [sutilmente a partida vai sendo anunciada].


Ofegante, mas na condição de passageiro embarcado [sem tapinha nas costas – “Bem vindo seja!”], um pedacinho de banco acomoda o esqueleto, agora em processo de desmonte. Soa o apito [estridente e alongado]. As portas são fechadas. Retardatários se despedem, sem aceno. O trem aos poucos inicia o deslocamento [ganhando velocidade a cada metro novo]. A estação seguinte [representada no mapa por uma bolinha – a segunda da esquerda para a direita], quadro a quadro, se aproxima tomando corpo, se agigantando aos olhos: até as pessoinhas ganham nitidez. Alinhadas junto à borda da plataforma e ao longo desta - ad infinitum – prontas, algumas, para ignorarem a gentileza do Profeta. O piloto, que não aparenta ser tocado pela “desgracera” do mundo, coloca em prática a dinâmica, já tão exaustivamente repetida [dinâmica que com facilidade invade-lhe o terreno baldio dos sonhos] – Vou desacelerando a composição, enquanto isto anuncio pelo sistema de som o nome da próxima estação. Com o trem parado na plataforma abro as portas - em geral aos atropelos, aos empurrões pessoas entram, pessoas saem. Apito, as portas são fechadas e a viagem recomeça.
Assim como o trem - que retoma o seu movimento a cada nova parada - o corpo do “passageiro embarcado” dá sinal, reage. As mãos resgatam um livro de dentro da bolsa [retalhos de jeans sob a forma de um saco com alça]. Um livro recolhido sem constrangimento, à meia hora atrás, na via pública: Nova Gramática do Português Contemporâneo – editada a vinte e cinco primaveras; encadernamento econômico; papel jornal amarelado em quantidade; faltando páginas; abandonada pelo dono; servindo ainda de morada e alimento.  E era como se estivesse segurando a si próprio. Folheando. Procurando perguntas - o dedo a percorrer palavra por palavra, linha por linha, parágrafo por parágrafo, andarilhando [é dessa forma que lê as cousas], concentrado, caminhando por entre a floresta cerrada.
No interior do vagão, outros tantos companheiros cumprem a viagem, em pé ou sentados, a sacolejar. E ele, diante do envolvimento, nem percebe o que estes em suas intimidades estão a fazer - o modo como cada qual amassa, aprisiona, afaga, descasca, morde, pinta, anuncia, aproveita, conversa, mata, acaricia o seu tempo [olhando dentro dos olhos do tempo]. Também não percebe um outro trem em sentido contrário, sorrateiro - sobre a ponta dos pés. Quando se dá p - VELOZES, RÁPIDAS, URGENTES - as composições já estão a se cruzar lateralmente, produzindo um barulho de metal ensurdecedor e um vento diferente, que entra pelas janelas, forçando a passagem [tudo vibra em alta velocidade]. Os corpos então atingidos por força descomunal são arremessados contra a estrutura do vagão, também uns contra os outros [e quando a força cessa, aos pedaços, caídos, amontoados estão todos, a configurar um ambiente de desastre]. Foi preciso somente um único piscar de olhos, para estar tudo pronto e acabado: os problemas – os pequenos e os grandes - a encontrarem o fim da linha. Lá onde a luz branca é intensa, a ponto de cegar, de ferir momentaneamente a retina, enquanto clareia.
Novamente faz-se transparente e tranqüila a água do copo.
De olhos abertos [sendo que em momento algum as duas janelas fecharam-se], com o espírito assentado no corpo, vê as pessoas ao redor, no seu trajeto cotidiano, igualmente a promoverem nossas desimportâncias: à esquerda, o olhar furtivo da mulher que segura criança segurando boneca, enquanto do outro lado, a moça luta contra o sono – cambaleante, pendendo a cabeça.
A idéia de que os trens podiam sim, terem se chocado - um encontrando espaço no outro, entrando dentro, sendo o outro [fundando algo inédito em sua vida, aproveitando para isto, o fim da terça-feira sem graça], retornou para o seu mais profundo, outra vez: o trem que percorre seus sonhos [estando ou não com os olhos fechados, visões] é o mesmo que invariavelmente lhe conduz para a cidade e para a casa.
Ele tem os livros como companheiros de viagem.

31 de mar de 2011

José Alencar a luta não foi em vão [a energia que me deste vai comigo].
Agradecido!

19 de nov de 2009



Valeu LUA! Agradeço por tudo! Sigo daqui pra frente.

20 de jan de 2009

20 de set de 2008

¿Por que te vas?

Hoy en mi ventana brilla el sol,
y el corazón se pone triste
contemplando la ciudad,
por qué te vas.

Como cada noche,
desperté pensando en ti
y en mi reloj todas las horas vi pasar
por qué te vas.

Todas las promesas de mi amor
se irán contigo,
me olvidarás,
me olvidarás.
Junto a la estación hoy lloraré
igual que un niño,
por qué te vas,
por qué te vas.

Junto a la penumbra de un farol,
se dormirán
todas las cosas que quedaron por decir,
se dormirán.

Junto a las manillas de un reloj,
esperarán
todas las horas que quedaron por vivir,
esperarán.

3 de set de 2008

27 de ago de 2008

Lago Guaíba - POA/RS

9 de ago de 2008



A tecnologia nasceu obsoleta.




28 de jul de 2008



Tenho a boca suja de estrelas.


5 de jul de 2008

29 de jun de 2008

e a fogueira era o lugar menos quente da festa...









lá que o povo se resfrescava do calor da pista!

22 de jun de 2008

Tá todo mundo convidado! Viva São João!

Bota aqui o teu pezinho bem juntinho com o meu!

fogueira, pinhão , pipoca, quentão!
música boa!

todo mundo lá na rua fernando machado, 199
no sábado 28.06,
a partir das 17 horas
sem hora para acabar!



8 de jun de 2008



As paredes da casa conspiram juntas para que o teto não caia.




3 de jun de 2008



30 de mai de 2008

27 de mai de 2008



Lavo o rosto

Dou bom dia às samambaias

Abro as janelas e as portas

Folheio revistas e jornais

Rouo as unhas das mãos

Procuro o melhor lugar para o rádio

Retiro o lixo

Apuro o café [o ritual todo é o que de fato faz com que a casa acorde]

Arrumo os livros e os calçados

Ponho o feijão de molho

Lavo a louça do dia anterior

Visito a caixa de correio

Vasculho pastas e gavetas atrás da conta da luz

Leio os bilhetes na geladeira

Abro a torneira e rego as plantas


Na morna manhã de pardais e urubus

[que visitam meu peito],

Escuto os cantos da casa.


Quantos já passaram por aqui